"Invejo a burrice, porque é eterna"
Nelson
Rodrigues faria 100 anos nesta Quinta-Feira. O autor que, em vida, conheceu a
glória e a maldição, o aplauso e a agressão e, no fim, o desprezo e o
esquecimento, foi reabilitado há 20 anos e, hoje, tornou-se aquilo que ele mais
temia: uma unanimidade nacional.
Muitas homenagens lhe estão sendo dedicadas
neste seu centenário de nascimento – e ele merece todas. Nelson Rodrigues
costumava destilar toda a sua ironia em frases que, de tão polêmicas, se
tornaram clássicas.
"Nem toda mulher gosta de apanhar, só as normais"
Nascido no Recife em 1912, Rodrigues escreveu
sua primeira peça, "A Mulher Sem Pecado", em 1941. Dois anos depois,
alcançou o sucesso com "Vestido de Noiva". O espetáculo é considerado
um divisor de águas no teatro brasileiro, tanto pelo texto quanto pela revolucionária
montagem do polonês Zbigniew Ziembinski.
Estavam lá todas as obsessões que marcaram
sua carreira: os subúrbios do Rio de Janeiro, o sexo e a conseqüente repressão
sexual, a morte. Nas décadas seguintes, os temas continuaram em obras como
"Bonitinha, Mas Ordinária" e "Toda Nudez Será
Castigada". Foi taxado por alguns de imoral, por uns de repetitivo,
por outros de caricato.
Também teve uma atuação importante como
cronista. Mas, neste caso, seu conservadorismo era mais evidente. Era um
crítico ferrenho do feminismo e da revolução sexual, ao mesmo tempo em que
chegou a defender a ditadura militar de 1964. Ele mesmo se definia como um
"reacionário". "Reajo contra tudo que não presta".
"A obra criativa dele é uma unanimidade,
não as opiniões políticas", afirma a dramaturga Fatima Saadi, que editou
um número especial sobre Nelson Rodrigues na revista Folhetim. "Nos anos
1980, ele não ainda era uma unanimidade. Hoje há muita gente estudando,
inclusive suas crônicas, com uma aborgadem antropológica, aproximando-o do
Gilberto Freyre."
Grande parte de sua popularidade veio das
versões de sua obra para a televisão e o cinema. Em número de adaptações, ele
só perde para outro escritor igualmente popular, Jorge Amado.
Mas, diferentemente de Amado, Rodrigues não
deu muita sorte no cinema. Poucas são as produções à altura de seu talento. Numa
avaliação mais rigorosa, apenas “Toda Nudez Será Castigada” (1973) - sucesso de
Arnaldo Jabor com uma antológica atuação de Darlene Glória” - e a versão de
"A Falecida" (1965) de Leon Hirszman podem ser considerados grandes
filmes.
O universo do dramaturgo Nelson Rodrigues foi
levado ao Fantástico entre março e dezembro de 1996 com a série "A Vida
Como Ela É...", dirigida por Daniel Filho e Denise Saraceni. Baseada na
famosa coluna, publicada no jornal carioca “Última Hora” entre 1951 e 1956, a
série apresentava contos tragicômicos de adultério, morte, desejos reprimidos,
ciúmes e amores passionais, que se passavam no subúrbio e zona sul do Rio de
Janeiro. Com os roteiros assinados por Euclydes Marinho, A Vida Como Ela É...
contava com um elenco que reunia Tony Ramos, Malu Mader, Maitê Proença, Cássio
Gabus Mendes, Antônio Calloni, Laura Cardoso, Nelson Xavier, Mauro Mendonça,
Caio Junqueira, José Mayer, Gabriela Duarte, Luís Carlos Góes, Marcos Palmeira,
entre outros.
Vejam as frases marcantes de Nelson Rodrigues:





Nenhum comentário:
Postar um comentário